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Venezuelanos vivem em ônibus abandonado na fronteira com o Brasil
FOLHA DE S.PAULO
Mon, 15 Apr 2019 21:22

Venezuelanos vivem em ônibus abandonado na fronteira com o Brasil

FOLHA DE S.PAULO
Mon, 15 Apr 2019 21:22

Venezuelanos vivem em ônibus abandonado na fronteira com o Brasil
Dez imigrantes venezuelanos que fugiram da crise no seu país estão vivendo há três meses em um ônibus abandonado na fronteira com o Brasil. 

Eles dormem sobre papelões, exceto os sortudos que têm redes, e cozinham em lenha do lado de fora do Mercedes Benz 1983, sem motor.

Duas crianças frequentam a escola local.
Os imigrantes fazem bico carregando os carros dos venezuelanos que cruzam a fronteira para comprar comida e outros itens e voltam para casa. 

"Estamos vivendo assim há três meses", diz Hildemaro Ortiz, 24,  original de Punta de Mata, no leste da Venezuela. Ele pretende seguir viagem a uma cidade maior no Brasil assim que seu filho conseguir cruzar a fronteira. 

Ortiz e seus companheiros são parte de um um grupo de milhares de venezuelanos que têm fugido para o resto da América Latina em meio à fome e os apagões em seu país. 

Ixora Sanguino, 27, varre o chão do ônibus e dobra os cobertores.

"Nunca pensei que um dia viveria num ônibus, e muito menos em outro país", afirmou Sanguino, que deixou os três filhos para trás em Ciudad Bolivar. "Não há nada na Venezuela agora."

Quando cruzou a fronteira, Sanguino passou a dormir nas ruas. O ônibus é um avanço que a protege das chuvas tropicais. Agora ela tenta conseguir dinheiro suficiente para comprar uma passagem de ônibus para Boa Vista, capital de Roraima, para buscar trabalho e mandar dinheiro para a família. 

Os moradores da estrutura enferrujada sonham com o retorno à terra natal, mas por enquanto a lutam dia a dia pela sobrevivência. 

Normalmente eles comem arroz e ossos, ou arroz e frango, quando há dinheiro suficiente entre eles para comprar carne, diz Sanguino.

Um padre espanhol serve café da manhã para cerca de 350 venezuelanos em sua casa, mas os imigrantes devem chegar antes das 6h para conseguir um lugar. 

Ortiz diz que o ônibus também oferece alguma proteção contra mosquitos. Quando fica muito ruim, eles acendem um fogo para espantá-los. 

Ele está impaciente para seguir adiante.

"Se ao menos esse ônibus tivesse um motor, já estaríamos em Manaus", afirma.