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Com novo conflito, ONU alerta que situação na Bolívia pode sair do controle
FOLHA DE S.PAULO
Sat, 16 Nov 2019 22:36

Com novo conflito, ONU alerta que situação na Bolívia pode sair do controle

FOLHA DE S.PAULO
Sat, 16 Nov 2019 22:36

Com novo conflito, ONU alerta que situação na Bolívia pode sair do controle
A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, denunciou neste sábado (16) "o uso desnecessário e desproporcional da força pela polícia e pelo Exército" que pode levar a situação na Bolívia a "sair do controle". 

Ela condenou as mortes que já somam 18 desde que os conflitos estouraram,  um dia após o anúncio da suposta vitória de Evo nas eleições de 20 de outubro, marcadas por fraudes.

"Condeno essas mortes. Trata-se de um desenvolvimento extremamente perigoso, pois longe de apaziguar a violência, é possível que a agrave", acrescentou Bachelet.
A autoproclamação de Jeanine Añez como presidente na terça (12), em uma sessão sem o quórum regulamentar e após a renúncia de todos os que lhe antecediam na linha sucessória, revolta os seguidores de Evo. 
"Tem mobilizações por toda parte, essas últimas 72 horas foram duras", criticou o ministro de Governo (Interior), Arturo Murillo, que anunciou que a ordem que as forças militares e policiais receberam é de "proteger o povo".

Autoridades bolivianas também pediram a pacificação do país, após as mortes da última sexta-feira (15).

"Estamos passando por momentos difíceis, pedimos aos movimentos sociais e outras organizações que diminuam as posições. Não podemos viver de luto", reclamou a presidente da Câmara de Senadores, Eva Copa, do partido de Evo.

Jerjes Justiniano, ministro da Presidência do novo governo de Añez, tinha afirmado antes que as gestões para acabar com a violência devem envolver "o país todo" e pediu aos bolivianos: "vamos parar com essa atitude (de confronto) e, ao contrário, buscar coisas que nos unam".
Contudo, uma "concentração pela paz", convocada por associações de moradores de La Paz para pedir o fim da violência após quase quatro semanas de protestos, confrontos e saques, foi suspensa de última hora, segundo os organizadores, "por motivos de segurança".

A algumas quadras do local onde a concentração aconteceria, cerca de mil camponeses vindo de um povoado de La Paz marcharam em protesto contra o novo governo e em defesa de Evo.

Evo, asilado no México desde a terça-feira (12), renunciou no domingo (9), pressionado pelas Forças Armadas e por protestos que questionavam sua reeleição no pleito de 20 de outubro.

Uma mesa de negociação está instalada há uma semana para buscar as condições de pacificar o país, segundo o representante local da União Europeia, León de la Torre. Espera-se que se some à mesa, integrada por congressistas pró e contra Evo, Jean Arnault, enviado pessoal do secretário-geral da ONU, António Guterres.