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Sánchez cede ministros técnicos ao Podemos mas Iglesias não está interessado
Público
Fri, 12 Jul 2019 10:10

Sánchez cede ministros técnicos ao Podemos mas Iglesias não está interessado

Público
Fri, 12 Jul 2019 10:10

O fracasso das negociações no encontro de terça-feira entre Pedro Sánchez e Pablo Iglesias, tendo em vista um acordo de investidura do próximo Governo de Espanha, levou o Partido Socialista espanhol (PSOE) a ceder em algumas das suas linhas vermelhas.

Sánchez cede ministros técnicos ao Podemos mas Iglesias não está interessado
O líder socialista retomou na quinta-feira o contacto com o dirigente do Unidas Podemos e propôs abrir mão de cargos ministeriais, mas apenas para figuras sem perfil político. A proposta não agradou a Iglesias.
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Sánchez desafiou o líder do Podemos a sugerir nomes de possíveis ministros que possam entrar num executivo liderado pelo PSOE, desde de que cumpram determinados requisitos: serem independentes, terem perfil técnico e não fazerem parte da direcção do partido. 
As exigências do PSOE não foram, no entanto, recebidas com grande entusiasmo junto da plataforma de esquerda. “Em democracia governa quem se apresenta a eleições e quem tem o apoio dos cidadãos. O que é que quer dizer técnico?”, questionou Pablo Iglesias esta sexta-feira, em entrevista na TVE. 

“Discutir um programa está relacionado com discutir as equipas de governo. A chave é fazer uma negociação integral como se faz na Europa e nos governos autonómicos. E nós temos equipas preparadas há dois meses para ter uma negociação integral”, sublinhou Iglesias.
A ligeira mudança de estratégia dos socialistas – que continuam a privilegiar um “governo de cooperação”, em vez de “coligação” – foi respaldada esta sexta-feira pela ministra da Presidência e vice-presidente do Governo. Sem se referir directamente à oferta de ministros, Carmen Calvo defendeu, porém, que “os nomes importam pouco, só importa o de Sánchez” e revelou que o PSOE está a considerar “todos os cenários possíveis” para ultrapassar o bloqueio no Parlamento.

“É obrigação do presidente considerar todos os cenários”, disse Calvo à Cadena Ser. “Temos de falar sobre o que podemos fazer, que respostas podemos dar a este país e depois abrir espaços de trabalho. Temos de falar de conteúdos e objectivos e a partir daí podemos abrir várias possibilidades.”
Na linha do que disse Pedro Sánchez na véspera, para a vice-presidente, a prioridade é alcançar acordos programáticos, que permitam às duas forças de esquerda ultrapassar as “divergências de fundo em assuntos de Estado”. 

“Partilhamos muitos elementos de política social, de solidariedade e de igualdade com o Unidas Podemos, mas distanciamo-nos noutras questões, as chamadas políticas de Estado, o plano internacional ou a questão da Catalunha”, referiu.
As legislativas espanholas realizaram-se no final de Abril, mas as principais forças políticas ainda não foram capazes de chegar a um acordo para a nomeação de um novo governo. Longe dos 176 deputados necessários para a maioria absoluta na Câmara dos Deputados – elegeu 123 – o PSOE decidiu, ainda assim, agendar o debate de investidura para os dias 22 e 23 deste mês.
Unidas Podemos (42 deputados), Cidadãos (57) e Partido Popular (66) já anunciaram que não vão votar favoravelmente à investidura de Sánchez, sendo que os primeiros não fecham a porta a um acordo com os socialistas. Desde que inclua cargos governamentais para figuras de relevo da coligação.

Se Sánchez não conseguir ser investido na data agendada, a legislação espanhola estabelece que o líder do partido mais votado tem dois meses para voltar a tentá-lo. Caso contrário, haverá novas eleições em Espanha. As quartas desde 2015.
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