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Noa: "Não posso dar-me ao luxo de curtir a gravidez"
Jornal de Notícias
Mon, 15 Apr 2019 22:04

Noa: "Não posso dar-me ao luxo de curtir a gravidez"

Jornal de Notícias
Mon, 15 Apr 2019 22:04

Tiago FerreiraHoje às 21:04Noa, o nome artístico de Lia Gesta, 36 anos, é uma cantora de jazz que agora se prepara para ter a primeira filha, Luz.

Noa: "Não posso dar-me ao luxo de curtir a gravidez"
Com o nascimento previsto para 6 de junho (tem um concerto dois dias antes, a que não quer faltar), a artista confessa que não está preparada para deixar a música e dar-se "ao luxo de curtir a gravidez".

Acrescenta que esta foi desejada, mas não planeada e que sente "às vezes insegurança" porque tem "medo de não ser uma boa mãe". E frisa: também "por causa da instabilidade que é o meu trabalho". Porquê Luz? A cantora explica que, como não tinha filhos, dava nomes às cadelas. "Era a Benedita, a Constança, a Mafalda. Fiquei sem nomes e ficou Luz". E agora, realça, não consegue "imaginar outro nome".
Começou a dar aulas de música aos 18 anos. Mas à noite tocava, "com uns DJ amigos", violino juntamente com house music. A partir desse momento, o que fazia à noite "tornou-se compatível com o horário diurno", relata. Noa continua a dar aulas, mas "direcionadas ao palco, a pessoas que já sabem tocar violino".

Já passou pelo ballet, no tempo em que a música era com pianista. A artista acredita que de, "certa forma, tudo isto acabou por ajudar a construir o gosto musical". Tentou a sua sorte na harpa, mas não deu certo. Virou-se, então, para o violino, um instrumento que a fascina e simultaneamente a assusta por ser "tão complexo e nevrálgico".

Natural de Gaia, Noa, em conversa com o JN, à beira do Douro, diz que a sua inspiração assenta na "antiguidade e no clássico" e, para ela, a Região Norte proporciona essas características: "o ar é mais granítico, rigoroso, antigo". A sul, diz, "é mais a música pop, coisas mais ligeiras".

Restaurante que inspira

O restaurante dos pais "Cais das Pedras", na Ribeira, no Porto, é um projeto que liga "experiência gastronómica com as vertentes musical e artística". "Quem vem não come nem ouve só. Tem uma experiência", diz. Por lá, já passou o vencedor do Ídolos do Japão - que cantou e "ninguém percebeu nada"- , bem como Simone de Oliveira e Marco Rodrigues, fadista.

O pai da cantora é o responsável por alguns dos seus temas. "Às vezes ele compõe, mas não sabe nenhuma nota, é tudo de ouvido", admite. O novo álbum "Cicatriz" será "muito mais íntimo, apesar de falar de sentimentos, partilhas, despedidas, encontros". É um disco que fala de uma relação que já não existe e que se arrastou ao longo de 10 anos "para fecharo capítulo". Nos espetáculos, a cantora convida artistas com deficiências físicas e mentais. "Tenho uma espécie de poder para abrir estes espaços a quem de outra forma não conseguiria", justifica.

O "ponto alto"da carreira foi atuar no Montreux Jazz Festival, a convite da brasileira Margareth Menezes. Afirma que podem esperar dela "uma evolução", uma vez que é "necessário ir beber às fontes, é preciso ter sempre informação nova". Paralelamente à carreira no jazz, está a acabar o mestrado em Literatura.